A fórmula do sucesso revisar


Ser extrovertido – animado e contagiante – é condição “sine qua non” para o sucesso. Essa é uma das crenças que o ocidente importa e exporta, assim como o glamour hollywoodiano e o vício do trabalho. Os workaholics de plantão, compulsivamente, erguem a bandeira da própria imagem e de suas conquistas - acima de qualquer bom senso. Saber vender sua própria imagem vem junto com o pacote.

Já não basta, contudo, subir na tribuna a fim de contagiar o público. Deve-se incluir o aperto de mão e pequenas sutilezas impossíveis no piloto automático. Afinal, até o futuro da inteligência artificial é a máquina com sentimento, diz Sean McKelvey, o pai do Pepper, robô considerado sensível, cativante e divertido.

Os introvertidos - longe do sonho de consumo, com infinita paciência, são aqueles que nos ensinam a escutar. Habilidade rara em um mundo de fazedores compulsivos. Não gostam de grandes festas, preferem a partilha dos ambientes mais íntimos: conexões reais com os poucos amigos – contados a dedo – e, em vez de surfar, o mergulho nos assuntos e nas relações. Ao contrário, em ambientes festivos e extremamente barulhentos , tremem, perdem o foco, querem desaparecer. Eles precisam, muitas vezes, da própria companhia. Um jeito de se reequilibrar e conseguir interagir com o ruído urbano.

Existe o tipo misto que não é extrovertido totalmente, nem tampouco introvertido 100%. Capaz de festejar três dias consecutivos, no quarto, desaparece. Necessitará, sem dúvida, de mais três dias de silêncio e solidão. Assim, se reabastece para voltar ao mundo, de preferência, bem devagarinho.

O mais importante: somos únicos.

Nenhuma classificação é satisfatória diante da singularidade. Contudo, é essencial compreender a ineficácia de ignorar as diferenças. Definitivamente, existem pessoas com necessidades distintas. Às vezes, pessoas mais introvertidas, imersas nas próprias divagações, sem fazer alarde, atravessam a multidão. São capazes de cruzarem com você, sem percebê-lo.

O problema começa na expectativa de que o outro deva agir como “eu”. Então, se ele me cruzar no corredor, sem olhar para os lados, vou logo concluindo que me está ignorando. Será? Nem sempre. Cabe ao indivíduo se responsabilizar por esclarecer os mal-entendidos. Além disso, em cada contexto, é aconselhável o jogo de cintura para usar/decodificar distintos registros, conhecer e dar a conhecer nossas peculiaridades,

a fim de interagir com excelência.

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